domingo, 8 de outubro de 2017

Isto é Muito Black Mirror #0

Olá caros leitores e escritores. Enquanto escrevo este post, acabei de assistir o segundo episódio de Black Mirror (também assisti o primeiro). E tenho que dizer; você se sente horrível depois de assistir. Mas uma palavra é muito pouco pra descrever a sensação obtida pela série.

Pra quem ainda não assistiu (como eu há algum tempo atrás) esta é uma série de histórias no maior estilo Irmãos Grimm, mas passando nos tempos modernos e sem muito terror de sangue espalhado por todas as cenas. É uma espécie de terror psicológico e ficção científica.

Recebi a indicação do podcast Anticast enquanto eles faziam programas voltados para os episódios desta série de histórias individuais, explorando a alta tecnologia e comportamento social. Mostrando extremos de nosso próprio comportamento como sociedade, digo-lhes mais; todos deveríamos assistir ao menos um episódio desta série.

Em geral são 45 minutos de história, dividido em partes limpas e concisas, sendo imprudente assistir enquanto se faz qualquer outra coisa. Geralmente o(s) protagonista(s) fica(m) sem saída enquanto escolha, o que nos faz refletir nossos comportamentos e atitudes como seres humanos. Agora irei explanar um pouco sobre o que percebi na estruturação da narrativa da série Black Mirror.

1. Ambientação.

A parte inicial te apresenta o universo do episódio, toda a sua contextualização do ponto de vista do protagonista. Se compararmos com a literatura seria um conto em primeira pessoa. Nesta parte, além de te apresentar ao universo, temos a problemática do personagens. Sei que pouco entendo de cinema e televisão, mas os personagens nos passam o sentimento correto (por assim dizer), enquanto você se coloca no lugar do personagem e repensa as atitudes com um contrafactual; "o que eu faria se estivesse no lugar dele/dela?". É fantástico, até ir para a segunda etapa da narrativa.

2. Desenvolvimento.
Nesta parte você muda um pouco a perspectiva, vendo pelos olhos de outros personagens importantes para o desenvolvimento. Geralmente entra o segundo e/ou terceiro protagonista e alguns personagens secundários apresentados na primeira parte ganham força e expressão. Normalmente estes secundários representam o senso comum do universo ficcional apresentado pelo episódio. Os protagonistas secundários vão mover a história pra frente, continuando a apresentação do universo em uma linguagem, se transportada para a literatura, de terceira pessoa não onisciente. Ao mesmo tempo que o episódio amplia sua percepção, ele acaba te induzindo a tentar uma saída da realidade apresentada, mas nenhuma porta ou janela se abre, oferecendo apenas uma sensação de impotência que está por vir.

3. Percepção do real.
Você toma posse do problema, ele passa a ser seu e você fica aflito enquanto esta parte se desenrola, preparando-se para a conclusão. Este é o momento preparativo para o clímax. Normalmente você diz "isto não vai acontecer!", mas (spoiler) na maioria das vezes acontece... Você é guiado pelo embalo da atitude final do protagonista em direção à conclusão.

4. Conclusão.
Normalmente curta e densa. Como a decida de uma montanha russa; você sente uma ânsia emocional e deixa escorrer parte de seus pensamentos pelo nariz. A sua alma se segura onde quer que esteja... É impressionante a atenção que você dá a esta parte, mas você quer seguir pra saber o que acontece depois.

5. Desembarque.
Você assiste o final sentindo-se um merda. Pensando se deveria fazer o papel de um vilão da Marvel ou DC. Que nada na vida faz sentido ou alguma discussão que você teve na internet seria facilmente subjugada pela sensação prestada por este episódio. Algo muito desejável pra qualquer escritor que queira despertar estes gatilhos mentais do leitor.

Planejo comentar um pouco sobre as perspectivas dos capítulos do Black Mirror nesta coluna. Assista e diga o que achou nos comentários.

Abraços randômicos e até mais!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Post Random #26 Desafios Sociais da Arte

Olá caros leitores e escritores, hoje em dia temos o dever de conduzir a arte contemporânea. Seja através da escrita ou pela imagem... E tantos outros modos de expressões artísticas/culturais. E veja como estes dilemas e desafios podem servir de cortina de fumaça pra ações bem mais significantes, no entanto não chocam tanto quanto o nu da suposta moral e bons costumes inexistentes.

Começando pelo início... Demorei muito pra tomar uma posição e excluir meus possíveis preconceitos a respeito de arte conceitual, o mesmo serviu para virar a página da figura dos bons costumes. Portanto não esperem uma reação retrógrada a respeito da arte. Porém o que deve ser levado em conta são os espaços onde estas manifestações culturais contemporâneas (não necessariamente artísticas) são expressas. Devemos ter o cuidado também com o nosso Histórico Nacional e no que diz respeito à nossa recente abertura democrática, ou seja, não temos prática em nos governar, mas não é desculpa para nos abster.

Com estas considerações poderemos seguir com a minha perspectiva sobre o assunto...

No caso Santander, por exemplo, o espaço usado para a exposição era restrito e fazia parte de um contexto bem específico. Fizeram muito barulho por nada e a maioria das peças não agrediam diretamente o pudor, muitas questionavam ações escondidas, colocando-as em perspectiva e debate. Esta questão é similar àquela passada na Alemanha Nazista onde a arte produzida por judeus era considerada degenerada.

Agora podemos seguir para o tópico político. É óbvio que teve uma apropriação politica da situação. Movimentos de Direita, empunhando a moral e bons costumes (bem como os Nazistas na Segunda Guerra), enquanto do outro lado movimentos da Esquerda (supostamente liberal, pois apoiam em parte a ditadura do proletariado) apoiavam a manifestação quase que irrestritamente. É verdade que muitos não leram as fichas das obras em questão, tirando-as do contexto e julgando conforme a sua moral. Como eu havia dito num tweet; pessoas que não frequentam museus julgando obras restritas às exposições particulares (ou algo do tipo, não me lembro das palavras exatas). Sendo assim fundamental a nossa compreensão sobre as pessoas que emitiram opiniões inflamadas a respeito das obras supracitadas.

Outra questão importante apareceu recentemente onde supostamente um homem nu surge em meio a menores de idade. Esta cena facilmente pode ser encaixada como atentado ao pudor e todos que assistirem a este ato passivamente; um co-autor de tal crime. Antes de prosseguir, expresso aqui que a(s)/o(s) responsável(eis) estavam errados em expor publicamente criança(s) a este tipo de exposição.
Agora vamos abordar parte do aspecto social deste ato (parte, pois não tenho leitura suficiente pra sustentar algo muito profundo). Sob este prisma podemos dizer que é um desafio e uma exposição do estado natural para discussão dos paradigmas sociais atuais, mas acredito ser uma exposição desnecessária para a estrutura social atual e mesmo os mais liberais (e libertários) podem achar um atentado à moral. Por mais que a moral seja subjetiva. Por outro lado esta exposição não contribui em nada ao combate contra a pedofilia.

Agora falarei sobre a cortina de fumaça que esta discussão gera no âmbito político nacional.

Muitos movimentos se apropriam, aparentemente do nada, de preceitos morais, defendendo a suposta família tradicional brasileira (que por sinal não existe de fato, a não ser que você fale sobre os donos de escravos e coronéis brasileiros). A esquerda já expôs as suas contradições, como as dos fundadores do MBL, por exemplo, expondo as letras de funk bem mais agresivas do que qualquer obra de arte exposta num museu. Abrirei um parênteses para contextualizar sobre o funk brasileiro...

Sim, há uma contextualização sobre a desvalorização e exposição exagerada da figura feminina, dada como posse daquele que pode pagar mais pela sua presença e eventuais serviços. Geralmente esta classe privilegiada é representada por traficantes de armas, drogas e humanos, bem como habitantes das classes A e B frequentadores dos bailes funks e afins. Considero todo este ambiente como negativo para a imagem feminina, pois tira a sensibilidade das mulheres sobre a violência que as mesmas sofrem em seu ambiente.

Voltando... Se eu elencasse todas as contradições sob o prisma de sua moral da direita brasileira faria um texto desnecessariamente mais longo que este e com toda a certeza sem o foco necessário, pois me obrigaria a elencar as contradições de seus oponentes. Também vale salientar o momento de descoberta da corrupção cujo Brasil está passando, e o quanto estas discussões acaloradas sobre moral e o que é arte (que por sinal não é uma pauta nova) serve como cortina de fumaça, tirando o foco do que é realmente importante para a nossa construção como Estado Nacional, desconstituindo seus preconceitos e relendo criticamente suas crenças históricas.

Lembrando que li opiniões internet a fora no que concerne a posição de profissionais na área da psicologia, mas infelizmente falta pesquisa para sustentar argumentos dos dois lados, sendo assim estas visões ainda estão em conflito. Uma coisa é certa; o debate é imprescindível, ao contrário da proibição arbitrária.

Lembrando que todos nós eventualmente entramos em contradições e percebe-las é o que nos faz evoluir em nossa própria perspectiva. Mudar de opinião não é o crime que muitos pintam por aí. Uma ideologia, seja de esquerda ou direita, não é uma roupa que se veste conforme seu gosto, mas uma construção de ideias pré estabelecidas e, geralmente, baseadas em muitos argumentos que provavelmente você não apoiaria se pensasse sobre. Saiba construir seu próprio conjunto de ideias e não se permita encaixotar. Há ideias boas e ruins de todos os lados, por isto que nosso papel enquanto artistas é colocar os assuntos em debate, questionando as bases das ideologias existentes, principalmente aquelas que se apoiam em morais ambíguas e de preceitos religiosos (pois Bíblia não é Constituição).

Espero que compreendam o meu ponto de vista (ainda em construção) e que gere a discussão necessária e não ataques desnecessários.

Abraços randômicos e até mais!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Post Random #25 Um passo após o outro...

Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou...

Este é um pensamento constante em todos os dias de minha vida, fico pensando sobre o que eu deveria ter feito ontem, mesmo não podendo fazer nada a respeito, pois a areia do tempo já escorreu pra parte de baixo da ampulheta. Quem já teve esta sensação sabe que é terrível ficar preso ao passado, mesmo que recente.

Por estes dias fiz um post sobre independência e como isto é um ideal utópico, a mesma coisa acontece com as relações pessoais, pois todos somos dependentes de alguém, no entanto para equilibrar estas relações, faz-se necessário que o outro dependa de você e não que se desprenda destas relações. Encontre alguém que confie, compartilhe sua história a conta gotas, até ver o copo meio cheio, pois até lá ela já conhece seus adjetivos. Saiba que ninguém é perfeito e de que a história privilegia aqueles que tem dinheiro ou posição social prestigiada. Os grande gênios que entraram na história eram assim, aqueles que não eram, foram empurrados pelos que eram.

Veja o caso de Nicola Tesla; só conseguiu uma posição na indústria de Thomas Edison por conta de uma indicação de Albert Einstein. Enquanto Edison já vinha de uma família rica, a mãe de Albert Einstein era de uma linhagem de industriais alemães. Ou seja; sempre há a força do capital envolvido para entrada na história. Ainda assim Tesla só obteve o reconhecimento merecido de suas invenções após a sua morte; sozinho num quarto de hotel, depois de doar seus lucros pra salvar a indústria da família Rockfeller... Antes disto ele era apenas uma nota de rodapé na história.

O jeito é levantar todos os dias em busca de seu melhor e impor pequenas metas, mas o principal é ter a consciência de que todo dia é dia de feira. Pois ao contrario do que te contaram aos fins de semana, não há dia de folga quando se vive. E nos dias que te disserem pra ficar improdutivo; invista em seus projetos pessoais, adiante as coisas pro dia seguinte, faça teatro no espelho pra melhorar seu "relacionamento interpessoal", pense a respeito de seus atos e o que te cerca no trabalho e na vida... Te elogie e valorize o que fez de certo, corrigindo o que fez de errado, mas sempre com os olhos pra frente. Faça o que tiver em seu alcance para fazer de hoje seu melhor dia, no entanto não fique decepcionado se amanhã você superá-lo, pois isto mostra o quanto você evoluiu.

Saiba que você pode ser mais do que ontem e menos do que amanhã. Um passo de cada vez que se chega à alguma realização pessoal. Pequenas metas, grandes objetivos.

Abraços randômicos e até mais! 😉