domingo, 14 de maio de 2017

[Depressão] Vamos sair?

Olá caros leitores e escritores, inspirado por uma determinada serie e empurrado pelo meu histórico de vida, nesta série de posts (sem numero determinado), listarei coisas que não se deve falar pra alguém com depressão.

Neste post, como já devem saber, falarei sobre o convite pra sair de amigos e familiares. Especialistas dizem que isto não deve ser feito, mas as pessoas não dão a mínima pra este tipo de alerta. Geralmente não se tem empatia por pessoas com depressão, portanto o que fazem? Convidam-nos pra sair de casa; aquele cantinho no qual você consegue se proteger do mundo, somente com seus sentimentos e pensamentos. Antes que alguém diga que não precisa deste drama todo, eu te digo; isto é fundamental pra uma pessoa depressiva, lhe explicarei o motivo.

Somos muito pensativos, geralmente prestamos atenção nas mínimas incoerências alheias, damos valor aos detalhes. Tentamos trazer ordem e lógica ao que nos envolve, detectando padrões de comportamento do tipo "confiável" e "não confiável", como auto defesa, mas isto é pra quem conhece a depressão desde o início da vida, como eu conheço. Outras pessoas desenvolvem este mecanismo na pré-adolescência, se isolando "repentinamente" das outras pessoas, geralmente levado pela incompreensão e falta de empatia pelas pessoas próximas a este indivíduo.

Tive problemas de desenvolvimento motor (nada grave) e consequentemente de dicção (esta sim bem acentuada), gerando o que chamamos hoje de "bullyng". Era tachado como alguém que não tinha "força de vontade", até hoje não sei o que querem dizer com exatidão, e que eu não interagia com as outras crianças. Obviamente era porquê eu era zoado até que cansassem de mim ou até eu bater em alguém; era a única forma, pois não tinha a escolha de não encontrar aquelas crianças novamente. Não importa o que todos falem; eu odeio cada uma destas crianças até hoje. Ou seja; a interação social me causava dor emocional.

Toda vez que houver um encontro com muita gente alegre, saiba que o depressivo não vai se dar bem, pois é o oposto dele e do ambiente no qual gosta de estar. Gente alegre costuma machucar as pessoas muito mais do que as tristes, pois ao meu ver (e penso que ao ver dos depressivos) estas pessoas não sentem empatia justamente por estarem felizes enquanto fazem piadas que podem ser dolorosas pra muitos. Claro que há aquelas pessoas felizes que vão tentar compreender e te chamar pra sair, você vai pra não se desfazer... Depois você sai no meio da festa, pois você não se sente bem com barulho, confusão e gente feliz; não escutando seus pensamentos, consequentemente perdendo a noção de quem você é de verdade.

Não são raras as vezes que depressivos temem que ao tratar de seus problemas, deixem de ser quem é pra se tornar pessoas felizes, as quais não se importam com as mesmas coisas de antes. O que desejo dizer é; o primeiro passo para ajudar alguém com depressão é escutá-la, sem partilhar os seus segredos pra mais ninguém, pois assim você conquista a confiança quebrada em outras interações sociais. Por isso não convide esta pessoa pra sair; peça permissão pra escutá-la e partilhar suas dores com ela também.

Abraços randômicos e a próxima...

domingo, 7 de maio de 2017

Post Random #22 Pense Simples, Escreva Simples

Olá caros leitores e escritores. Hoje, este que vos escreve, entra numa fase mais moderada, mais simples, porém não simplória. Nada melhor pra inaugurar esta nova fase com um post que fale diretamente com a simplicidade de um bom texto. No entanto existem coisas que torna o texto mais simplório. Neste post tentarei elucidar estes aspectos no espírito do "menos é mais".

Vocês, com toda a certeza, já se depararam com um texto que usa sempre as mesmas junções; sem vírgulas, sempre com a mesma conjunção colando as orações, enfim, com coisas que acabam com a disposição do leitor. Se você nunca notou isto, saiba o motivo de ter largado determinado texto no meio, ou mais precisamente; vontade de parar com o livro, mas com o desejo de retomar a leitura. Saiba agora o que o escritor acertou e errou pra nos despertar estes sentimentos contraditórios...

Simples não pode se confundir com o simplório. Um texto bem construído é fundamental pro sucesso de sua escrita.

Já detalhei na introdução um pouco do aspecto técnico que torna o texto simplório; má utilização das junções e vírgulas. Parece-me que alguns autores tem alergia ao ponto final ou de exclamação, devendo-se utilizar com moderação, mas o uso correto garante um bom corte de cenas, proporcionais aos dos filmes e séries os quais você admira. Para isto funcionar na escrita o escritor deve interiorizar em sua forma de escrever o jeito mais conciso e preciso possível. Muitos podem não dar valor aos usos dos pontos, ou ainda da alternância nas palavras que juntam oraçoes e pensamentos no decorrer de um texto ou narrativa (que, no que, qual, na qual, também, no entanto, portanto, consequentemente, ao, à, ou, de, do, da...), esta classe de palavras nos garante a continuidade de uma frase, bem como o cimento junta os tijolos duma construção. Mas assim como o cimento, existem vários tipos; como acabamento interno, externo, pra áreas úmidas... Enfim, as ferramentas que servem a um determinado tipo de texto, não serve ao outro, no entanto existem as genéricas que servem para qualquer tipo, mas o uso do "que", cujo uso é constante (já encontrei 5 deles numa só frase), tornando a narrativa pobre e fraca; como uma rua cheia de quebra-molas, fazendo a narrativa diminuir o ritmo. Releiam aqueles textos cuja considere lentos e maçantes; certamente encontrará diversos "quebra-molas" no texto, bem como frases sem quebra, como uma estrada que segue reta durante horas, deixando seu motorista sonolento.

Um texto sempre se inicia com uma letra maiúscula, passando uma letra após a outra, finalizando com um ponto final; é simples! Mas nem tanto.

Quando me propus a escrever "Ômega Volk: A Margem da Maldade" não me ocorreu que fosse tão complicado. Eu já escrevia poesias, mas pra ser contista ou romancista; é preciso ir alem.

Pra exemplificar; quando era criança (uns 9 anos) eu tinha dois hobbies, um era a música (Pink Floyd, Led Zeppelin, CCR, Beethoven e outros ícones da musica clássica lírica e instrumental) obtida através de fitas do meu pai, o outro era ler o dicionário e as revistas da Superinteressante (dentre outras do mesmo gênero). Mas neste post destacarei o fato curioso de "perder tempo" em ler dicionário. Eu, enquanto criança, achava fantástico o fato de ter o significado da palavra em sua frente (hoje temos este recurso no Kindle em um toque), sempre que precisava saber o significado de uma palavra encontrada nas revistas, eu abria aquele calhamaço do Aurélio (procurem imagens na internet) e procurava a palavra desejada. Também fazia isto por esporte; ia procurando as palavras mais diferentes, vendo o seu significado. Lembro quando descobri a palavra "cuja", foi uma descoberta muito interessante... Daí em diante não parei mais, só diminuí o ritmo na adolescência, mas a mudança efetivou-se; era uma daquelas crianças com problemas na dicção que falava umas palavras diferentes, pois conversava muito comigo mesmo enquanto lia as revistas e alguns livros sobre paleontologia e astronomia. Naquela época a astronomia ainda se limitava ao sistema solar e o nome das estrelas e constelações... Também tinha a classificação das estrelas e planetas, mas se limitava em algumas poucas páginas no famoso "Atlas". No entanto por mais livros que minha mãe tivesse em casa, eu sempre me intimidei pelas páginas amarelas e os assuntos ininteligíveis pra minha pessoa. Se não me engano a leitura de minha mãe passava sempre pelos clássicos publicados em 1900... Certa vez, aos meus doze anos peguei um livro pra ler, se não me engano foi "O Cortiço", não preciso dizer que era bem longe de ser o meu gosto, mas se não fosse uma edição antiga, talvez, eu arriscaria ler.

Retomando o assunto do simples; me traumatizei com o segundo volume do livro "Til", linguagem incompreensível cuja era o meu trabalho do segundo bimestre na segunda série do ensino médio. Desde então me apeguei a música e a poesia, compondo algumas letras e melodias, muitas estão perdidas no tempo.

Portanto a simplicidade é fundamental pra chamar novos leitores, por outro lado a boa composição das letras se faz fundamental para a permanência destes na literatura, em especial em seus trabalhos (se você for escritor). Como disse anteriormente; usar sempre as mesmas palavras empobrece seu texto, usar palavras complexas demais afasta os leitores. Afinal é importante manter o equilíbrio entre riqueza nas palavras e o texto simplório sem variação  nas técnicas pra colocar uma palavra após a outra.

Uma boa regra a se seguir é sempre que houver combinações de palavras parecidas num conjunto de três frases (ou até mesmo dentro do parágrafo), se faz interessante reformular até a combinação deixe de existir. Sei das dificuldades nesta regra, no entanto este é um bom exercício pra enriquecer seu vocabulário, te força a escolher as palavras de uma forma interessante; como um general empurrando seu exército contra o inimigo, fechando as rotas de fuga, não deixando alternativa alem de lutar contra suas capacidades, até que o leitor vença o seu texto. Esta figura de linguagem quer dizer; o leitor leu seu escrito com facilidade, aprendeu algumas palavras pelo contexto e ainda gostou do que leu. Esta é uma vitória, ao menos pra mim, quando consigo alcançar os objetivos citados anteriormente. Pra outros escritores pode ser diferente, mas não creio que os seus objetivos fujam muito dos meus; você pode ter o foco em emocionar com sua história, entretanto, acredito no alcance da emoção do público leitor através de um texto bem construído.

Outro ponto importante é escrever como se pensa, pensando no que escreve e acima de tudo; pensar como você deveria escrever. Com isto desejo dizer que as frases bem construídas em sua mente contribuem para que seu primeiro texto saia sem muitas falhas, não dispensando as revisões e reescritas subsequentes.

Em resumo; um texto simples sem técnica se torna simplório, mas aqueles complexos não alcançam o leitor. Equilibrar estes elementos no texto e ainda imprimir a sua identidade é o dever do escritor. Bem como uma casa feita sem projeto, um texto sem técnica está fadado ao fracasso.

Gostaram do post? Concordam ou discordam de mim? Deixe sua opinião nos comentários que ficarei feliz em conversar sobre isto com vocês!

Abraços randômicos e até mais!

domingo, 30 de abril de 2017

1° de Maio

Olá caros leitores e escritores, feliz seja o dia de todos nós que continuamos trabalhando, também daqueles protestantes lá fora. Somos, no final das contas, um só. Por isto deveríamos estar juntos, lutando contra medidas que não foram discutidas previamente, contra aqueles que não dão o exemplo cortando os próprios privilégios. Esta ação do nosso governo só mostra o quanto eles refletem as ações de seu próprio povo. Explicarei.

Muitos já me disseram "...se eu estivesse lá faria a mesma coisa... Garanto que você também...", ou ainda que eles estão mais do que certo dizendo; "o mundo é dos espertos", também podemos traduzir como "bobo é quem trabalha". Só quero dizer que, pela lógica da politica brasileira, eles não estão errados. Mas não quer dizer que eu concorde com a perpetuação deste tipo de pensamento.

Os protestos, apesar de muitos desqualificarem pela presença sindical, são uma prova do amadurecimento político, apesar de não ser composta por uma massa 100% pensante, sendo que a maioria, ao meu ver, se apropria de uma ideologia por inteiro, sem questionar as ideias inclusas no pacote, consequentemente não separar as ideias de dentro das ideologias, construindo o seu próprio conjunto de ideias. Pros extremistas isto é impensável justamente pelo desmonte de sua ideologia perfeitamente montada pra combater o lado oposto.

O que quero dizer é; não existem ideias de direita ou esquerda. O que existem são ideias, sendo boas ou más dependendo da posição do sujeito de direito na sociedade.

Mas as opiniões ultrapassam a questão do trabalhador, muitos valorizam, e muito, a questão do trabalho. Muitas vezes são opiniões vindas diretamente dos anos 60, onde estudantes e cientistas não são bem o modelo de trabalhador. Nisto estão inclusos os filósofos e o ofício o qual pretendo seguir na escrita. A respeito disto só quero dizer que estas facetas do ser humano formaram a sociedade atual. Dizer "isto não é trabalho" nada mais é do que cuspir pra cima.

O trabalho, no pensamento de muitos, é o meio pelo qual se qualifica o ser humano, mas pelo contexto da Grécia antiga o trabalho intelectual era tido como dignificante. Mas o que se deve ter em mente é que a honestidade não está ligada de forma inviolável com o trabalho, sendo perfeitamente que alguém considerado trabalhador cometa desonestidade, seja material, moral ou intelectual. Por sinal desqualificar a pessoa que profere determinada ideia é a pior desonestidade intelectual. Deve-se argumentar colocando os argumentos em questão, rebatendo os pontos um a um. Um belo exemplo de manifestação deste tipo de desonestidade está exposta em todas as emissoras de TV a cada dois anos nas campanhas políticas, fica difícil votar quando os argumentos se resumem a ataques pessoais, não tendo a mínima ideia de como aquele candidato vai resolver os problemas da população. Apesar disto, compreendo que se houver alguém neste meio tentando rebater de forma razoável e lógica não teria a menor chance, pois iriam desviar o foco e resumir as discussões em ataques pessoais.

Quando resolver assistir um destes "espetáculos" tenham em mente de que se houver algo parecido com o diálogo abaixo, este ser não é digno de voto:

- Quais são suas propostas pra educação?

- ... É importante salientar que o outro candidato não fez pela educação, eu sim farei...

Mas não explica a forma de como se aplicará. E isto se repetirá até negarmos esta maneira de fazer política. A única maneira de progredir a política brasileira é discutir racionalmente.

Feliz dia do trabalho.

Feliz dia do trabalhador.

Espero que nossos governantes sejam substituídos periodicamente, pois peças com muito tempo na função apresentam vícios ocultos. A alternância de poder é fundamental pra permanência da democracia.

Abraços randômicos e até a próxima!