quinta-feira, 21 de julho de 2016

História: Anacronismos.

Olá caros leitores e escritores. Hoje irei despejar um pouco de um dos conceitos históricos aprendidos por mim ao realizar a pesquisa para o livro "Ômega Volk: A Margem da Maldade." Ainda em produção. Anacronismos; o que são, onde vivem e do que se alimentam... Não, não é Globo Repórter.

Foto retirada de http://ined21.com/el-anacronismo-de-la-formacion-en-espana/

Os anacronismos históricos de uma maneira bem simplificada, até porque não sei explicar da maneira mais complexa (risos), estão separados em pelo menos dois tipos; aqueles relacionados ao julgamento de valor após o fato histórico e os que se referem a relatos do passado contendo elementos que não pertencem àquela época.

Ficou confuso? Vamos desenrolar o carretel...

Primeiro ao julgamento de valor. Vou dar um exemplo simples; alguém que você conhece passou por uma situação difícil e você julga as consequências de seus atos e diz "Se ela fizesse isso... Teria sido diferente..." Fazemos isso o tempo todo, não é mesmo?

Agora vou falar do anacronismo a respeito de elementos não pertencentes ao tempo histórico. É bem simples na verdade; Vikings usavam relógio de pulso? Obviamente não, mas este é um exemplo de anacronismo!

Este segundo foi fácil perceber, né? Então vamos voltar ao primeiro. Darei um exemplo histórico:
Na Alemanha Nazista se exterminava judeus. Hitler até preservou uma das cidades invadidas para que servisse como "Zoológico de judeus". Então cometemos o anacronismo histórico quando pensamos "Os Aliados decidiram acabar com o Terceiro Reich de uma vez por todas por conta desse extermínio" quando na verdade eles nem sabiam de tal fato! Eles atacaram pois tinham que eliminar o Eixo, caso contrário a soberania de seus países seria derrubada, este é o real motivo do esforço de guerra dos Aliados. Ah, mais uma coisa; os Aliados não eram bonzinhos, pois além de devolver os refugiados para os alemães, também havia um forte preconceito contra os negros e as mulheres naquela época. O discurso de que os Aliados salvaram o mundo dos nazistas além de ser anacrônico é de certa maneira manipulador. Mas não vamos prolongar este assunto.

Vocês viram como anacronismos são? Principalmente quando se trata de julgamento de valor após o fato, pois nunca saberemos como foi tomar decisões no lugar daquele líder histórico ou aquele conhecido. A não ser que tenhamos uma maquina para viajar no tempo ou passar pela situação que o conhecido em questão passou.

Lembro aqui que penso não ser nada demais cometer anacronismos em ficções, desde que bem embasadas e que sirvam ao objetivo da narrativa.

Gostaram do post? Comente, compartilhe.
Não gostou do post ou tem algo errado? Corrija-me por gentileza aí nos comentários que logo acertarei.

Abraços Randômicos e até a próxima!


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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Escrevendo: A Primeira e a Terceira Pessoa.

Olá caros leitores e escritores! Estou aqui para falar sobre as narrativas em primeira pessoa. Sei que não escrevo neste método ainda; sou clássico, prefiro a narrativa em terceira pessoa.

Pois bem, preciso lhes dizer o motivo de minha preferência pela narrativa em terceira pessoa:

Primeiro que o narrador onisciente é melhor para contar uma história sem se preocupar com os seus pormenores. Em segundo lugar a terceira pessoa nos permite falar em uma linguagem mais poética e culta, livrando-se das idiossincrasias do narrador personagem.

Mas mesmo assim tenho que admitir as vantagens de se escrever em primeira pessoa:

Em primeiro lugar você pode se aprofundar mais em uma história, se colocando na pele do personagem. A segunda vantagem é que a narrativa, uma vez o escritor vestido do personagem o livro será mais fácil de ser produzido, ou seja, torna-se mais natural a sua concepção.

Preciso ressaltar as desvantagens de escrever em terceira pessoa:

Obviamente é o contrário das vantagens de escrever em terceira pessoa; a impessoalidade e o afastamento do leitor para com a história. Mas devo ressaltar que com algumas técnicas de escrita você poderá superar estas dificuldades. Mais adiante em outros posts pretendo abordar estas técnicas que por sinal ainda estou estudando.

As desvantagens e dificuldades de escrever em primeira pessoa são as seguintes:

O personagem não é onisciente e você se obriga a se restringir ao ponto de vista do narrador personagem. Mas você também poderá superar isto com técnicas de narração múltipla ou sobreposta, dando mais dimensões ao livro. Pretendo um dia aborda-las mais a fundo por aqui também.

Por fim, devo lhes dizer que muitos autores iniciantes, assim como eu, comete um erro básico ao narrar em primeira pessoa que é narrar fatos cuja o personagem narrador não tem como saber! Pra ser justo na terceira pessoa muitos autores também cometem erros óbvios; eles não passam emoção, gerando uma narrativa difícil de ler. Mas como disse anteriormente podemos superar estas dificuldades através de técnicas que devemos treinar.


Lembrando sempre para vocês que tudo que escrevi neste post demonstra a minha percepção como leitor e autor. Se quiserem discutir ou têm uma visão diferente, coloca aqui nos comentários pra que gere uma riqueza maior no conteúdo do blog 😉.


Bom, eu uso este blog para melhorar os meus textos e vocês? Digam aí nos comentários!


Abraços randômicos e até mais!

terça-feira, 12 de julho de 2016

[Resenha] Imagine Comigo.


Olá caros leitores, hoje irei fazer algo diferente, por se tratar da segunda fase do blog. Hoje irei colocar uma resenha que fiz sobre o livro "Imagina Comigo" de D. B. Katayama, por sinal adianto aqui que gostei muito, mas como gostos são apenas pontos de vista, gostaria de deixar aqui pontos técnicos para que os futuros leitores desta autora em formação julguem por si mesmos se vale ou não apena conhecer a história de Mali.


O Livro "Imagine Comigo" é uma obra de ficção juvenil de publicação independente da autora D. B. Katayama.
Revisão: Rosely Pereira Maia.
Imagem de Capa e Ilustrações: Henrique Candido.
Capa: Gian Felipe


Sinopse:
O ano é 3700, onde, para se proteger da radiação existente no planeta e de mutantes canibais, a última cidade sobrevivente se mantém isolada dentro de uma enorme redoma de vidro. Uma missão especial leva Medy para fora dos portões, mas algo dá errado e ela fica exposta à radiação. Quando descobre estar grávida, procura esconder de todos por medo de ser expulsa. O resultado dessa gravidez é uma linda menina albina, de olhos violetas... E sem boca. Com a morte de Medy, a bebê Mali fica aos cuidados de seu pai, um monstro egoísta e amargo que a trata como um bicho, mas a menina possui dons muito especiais que a ajudarão sobreviver. Quando completa 17 anos, elabora um plano para fugir de Nek, e a partir desse momento, Mali descobre a verdade e os segredos por trás da redoma.

Falando brevemente sobre a autora:
Danielle Katayama trabalha como roteirista e editora em um canal de TV. Sempre se encantou pela arte de contar histórias e um dia quis contar a sua própria ficção. Como todo autor iniciante a personagem principal de seu primeiro livro é muito inspirada na própria personalidade da autora. Como a sua formação é jornalística, pode-se esperar um texto bem montado e com roteiro sem furos. Muito bem, vamos para a análise critica que fiz sobre o escrito, lembrando que antes de elabora-la tive o privilégio de conversar bastante com a autora e compreender o seu ponto de vista sobre a sua história.

 
Em seu primeiro livro a autora descreve a jornada de Mali, que vive em um momento pós-apocalíptico em seu ano de 3.700 depois do nascimento de seu Messias.

A protagonista no prólogo deste livro descreve o cenário pintado por um governo totalitário da cidade-estado de Nek, composto principalmente por cientistas do planeta inteiro. O planeta foi dizimado pela falta de recursos e colapso ambiental, fornecendo uma visão análoga a do possível futuro de nossa própria Terra. As ilustrações, feitas pelo ilustrador Henrique Candido que compõem o prólogo por sinal são fantásticas. Henrique também fez as ilustrações contidas nos primeiros capítulos do livro, irei falar delas mais adiante.

O livro é narrado por dois personagens; Mali e Ayron. Cuja o segundo não irei revelar quem é exatamente pra não estragar a narrativa com spoilers.

Nos primeiros capítulos a autora nos descreve a história dos pais de Mali; Madelyde e Korap. O primeiro era um apanhador de materiais externos à cúpula de Nek (que era radioativa, por conta disso eles saiam com roupas de proteção), enquanto Korap era um cientista pesquisador da cidade.

Até este momento o livro parece ser narrado com certa apatia, o roteiro e a trama é o que leva a história. A voz da autora não parece bem desenvolvida; entre o meio do segundo capítulo até o meio do terceiro, a história é contada com pressa e sem muitos detalhes na ambientação, com a exceção do primeiro capítulo e do prólogo, sendo ambos bem empolgantes.

A narrativa, a partir deste ponto começa a descrever a jornada de Mali, a protagonista, o livro ganha um novo fôlego e animação. Ela descreve a limitação da personagem com muitos detalhes, o ódio de seu pai ter que escondê-la dos demais por conta de sua deformidade e toda a rotina. Pela primeira vez você se sente na pele da personagem e de certa forma sofrendo com ela todos os abusos ocorridos naquele período de sua vida. Já no quarto capítulo ela corre mais um pouco com a narrativa, mas desta vez tomando cuidados com a descrição dos ambientes e novos personagens que são inseridos nesta nova fase da vida da personagem, não senti falta de nenhum aspecto que fosse fundamental para que a narrativa pudesse se tornar mais interessante. Lembrando que como você se veste com a personagem protagonista, também fica perdido, desorientado e vai descobrindo junto com Mali todo o mundo que os cerca.

Nos capítulos seguintes existe uma virada no plot principal e você descobre uma história nova, diferente da contada no prólogo, também são inseridos neste momento alguns elementos de ficção fantástica que servem para o bom encaminhamento da trama. Isto destoa um pouco do início que consiste em algo mais parecido com ficção científica, mas é justamente o que dá o tom de virada da história que a personagem sofre junto com o leitor, então como ela você aceita facilmente os acontecimentos a seguir.

No final juro que fiquei com medo de uma finalização estilo Deus-x, mas o que recebemos é um desfecho ao estilo clássico, amarrando as pontas soltas, deixando brechas bem justas para uma continuação que promete mais uma história empolgante. Como não deveria deixar de ser nos capítulos finais tem uma surpresa que revela uma personalidade clássica dos vilões de quadrinhos das décadas de 80 e 90.

Considerações finais:

É uma narrativa boa de uma escritora iniciante bem preparada para escrever, na minha opinião vale muito a pena comprar o e-book, você terá em mãos uma bela história que além de caber bem no bolso, ela é bem ilustrada, particularmente só não gostei muito de uma das ilustrações e senti falta de mais ilustrações no decorrer da narrativa. Vamos com as notas de 1 a 10:

Voz do escritor: 6,5 (personalidade)
Roteiro: 8,5 (criação, desenvolvimento, viradas e desfecho)
Ambientação: 6,0 (descrições do ambiente e aspectos gestuais dos personagens)
Coerência: 9,2
Diagramação: 9,5
Ilustrações: 8,0
Capa: 6,8 (Ilustração, Título, montagem da sinopse e primeiras impressões).
Levando em consideração os mesmos pesos para todos os critérios acima listados a nota final é:
7,79 !!!

Muito bem pessoal, para quem se interessou e quer adquirir o e-book ou até o exemplar físico; disponibilizarei os links de compra e contato da autora logo no final deste post. Deixem a sua opinião sobre este nova aba do blog aqui nos comentários. Curtam, compartilhe e marquem +1 na publicação para ajudar a ganhar destaque.

Abraços randômicos.

Blog da Autora:
  


Facebook de Promoção do Livro:
https://www.facebook.com/livroimaginecomigo/

Book Trailer:
https://youtu.be/fmSCGoSFXl4

Link Para Compra do Livro:
https://www.clubedeautores.com.br/book/203745--Imagine_Comigo__Versao_Colorida#.V18H5BnmNAg

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Lendo: Interpretação vs Transmissão

Olá caros leitores, hoje irei falar sobre "este livro não é pra você", ou como coloquei aí encima no título do post: "Interpretação vs Transmissão". O que quero dizer afinal com este título é que pessoas diferentes podem encarar o livro lido de maneiras diferentes, principalmente se ele é escrito em camadas.

Vou dar um exemplo bem cotidiano; você aos seus 4 até os 8 anos de idade provavelmente já assistiu vários filmes da seção da tarde passados através da rede plim-plim, certo? Pois bem, "A Lagoa Azul" passou tantas vezes que aposto que muitas pessoas sequer tem a vontade de zapear e saber o que aconteceu com os atores ou rever o filme pra saber se realmente aquela leitura que você fez quando criança era correta ou se percebeu todos os nuances do roteiro, ambiente e personagens. Isto serve pra qualquer filme que você, caro leitor, assistiu quando criança, pois podemos assumir que definitivamente é outra pessoa hoje em comparação com você mesmo no passado. Finalizando; você com toda a certeza verá o filme literalmente com outros olhos e por consequência realizará outro tipo de análise do filme em questão.


Superado esta parte inicial do texto, vamos ao tema principal; qual é a distancia entre o que você entende de um livro ou filme e do que o autor quis dizer com a obra em questão. Como autor, pessoalmente prefiro que meus textos causem a reflexão sobre determinado tema, obviamente tendendo à uma opinião pessoal, mas tento não transparecer isso na obra e tento fazer com que o leitor chegue à determinadas opiniões que necessariamente não deve ser a opinião que tenho sobre o assunto abordado. Creio que como eu vários outros autores tenham isto em mente e queiram reproduzir isto em suas obras, portanto no meu ponto de vista quando eu leio alguma história tento prever o que irá acontecer e consequentemente o que ele quer dizer com a história, na maioria das vezes é bem mais de uma coisa.


É um desperdício pensar que um livro ou filme seja feito pra abordar somente o tema principal, isto quando se tem somente um tema principal e ao invés disso você pode perceber diversas subtramas entrelaçados através de uma linha principal chamada roteiro. Portanto acredito que nem todas as pessoas devem ler todos os livros, mas sim aqueles que falar de maneira mais aproximada a sua linguagem pessoal. Eu explicarei; odeio por exemplo quando a linguagem é muito rebuscada o que me impossibilita ler o livro, pois terei que ficar com um ou mais dicionários do lado, pois ler é viajar nos pensamentos do autor e não um trabalho maçante como nossas escolas nos dizem. Ler é bom, só descobri depois de sair do colégio que é libertador quando você encontra livros que falam a sua língua e que há tantos outros que você pode ler sem se esforçar em traduzi-lo para uma linguagem mais próxima de você. Finalizando este pensamento gostaria de ressaltar aqui que ler é um entretimento e não um dever!


Agora vou falar um pouco sobre as pessoas que dizem que determinado livro não é para qualquer um ou que você não está preparado pra ler tal livro. Pois eu lhe digo caro amigo, talvez nunca esteja preparado pelo simples fato da obra não estar na mesma sintonia que a sua mente e que é melhor se ocupar lendo outros tipos de livros que sejam mais a sua cara, o importante é ler!


Como autor, novamente, gosto de dizer que é o nosso dever nos fazer entender e conversar com a maioria das pessoas com os nossos escritos. Obviamente terão trabalhos mais rebuscados e elaborados, mas isso não quer dizer que o autor traiu os seus leitores, mas apenas quer tentar escrever algo diferente e isto pode melhorar o próximo livro que escreverá para o seu publico cativo.


Bom, falei muito neste post porque o assunto é bem complexo. Como palavras finais para aqueles que persistiram na leitura, gostaria de lhes transmitir que não se deve impor os seus gostos sobre outros leitores ou autores, pois cada um tem o seu perfil e publico apropriado. Afinal cada um é único e cada obra que foi, é e será, nunca se repetirá novamente e jamais será lida duas vezes da mesma maneira, mesmo que pela mesma pessoa.


Abraços Randômicos e até a próxima semana!