domingo, 7 de maio de 2017

Post Random #22 Pense Simples, Escreva Simples

Olá caros leitores e escritores. Hoje, este que vos escreve, entra numa fase mais moderada, mais simples, porém não simplória. Nada melhor pra inaugurar esta nova fase com um post que fale diretamente com a simplicidade de um bom texto. No entanto existem coisas que torna o texto mais simplório. Neste post tentarei elucidar estes aspectos no espírito do "menos é mais".

Vocês, com toda a certeza, já se depararam com um texto que usa sempre as mesmas junções; sem vírgulas, sempre com a mesma conjunção colando as orações, enfim, com coisas que acabam com a disposição do leitor. Se você nunca notou isto, saiba o motivo de ter largado determinado texto no meio, ou mais precisamente; vontade de parar com o livro, mas com o desejo de retomar a leitura. Saiba agora o que o escritor acertou e errou pra nos despertar estes sentimentos contraditórios...

Simples não pode se confundir com o simplório. Um texto bem construído é fundamental pro sucesso de sua escrita.

Já detalhei na introdução um pouco do aspecto técnico que torna o texto simplório; má utilização das junções e vírgulas. Parece-me que alguns autores tem alergia ao ponto final ou de exclamação, devendo-se utilizar com moderação, mas o uso correto garante um bom corte de cenas, proporcionais aos dos filmes e séries os quais você admira. Para isto funcionar na escrita o escritor deve interiorizar em sua forma de escrever o jeito mais conciso e preciso possível. Muitos podem não dar valor aos usos dos pontos, ou ainda da alternância nas palavras que juntam oraçoes e pensamentos no decorrer de um texto ou narrativa (que, no que, qual, na qual, também, no entanto, portanto, consequentemente, ao, à, ou, de, do, da...), esta classe de palavras nos garante a continuidade de uma frase, bem como o cimento junta os tijolos duma construção. Mas assim como o cimento, existem vários tipos; como acabamento interno, externo, pra áreas úmidas... Enfim, as ferramentas que servem a um determinado tipo de texto, não serve ao outro, no entanto existem as genéricas que servem para qualquer tipo, mas o uso do "que", cujo uso é constante (já encontrei 5 deles numa só frase), tornando a narrativa pobre e fraca; como uma rua cheia de quebra-molas, fazendo a narrativa diminuir o ritmo. Releiam aqueles textos cuja considere lentos e maçantes; certamente encontrará diversos "quebra-molas" no texto, bem como frases sem quebra, como uma estrada que segue reta durante horas, deixando seu motorista sonolento.

Um texto sempre se inicia com uma letra maiúscula, passando uma letra após a outra, finalizando com um ponto final; é simples! Mas nem tanto.

Quando me propus a escrever "Ômega Volk: A Margem da Maldade" não me ocorreu que fosse tão complicado. Eu já escrevia poesias, mas pra ser contista ou romancista; é preciso ir alem.

Pra exemplificar; quando era criança (uns 9 anos) eu tinha dois hobbies, um era a música (Pink Floyd, Led Zeppelin, CCR, Beethoven e outros ícones da musica clássica lírica e instrumental) obtida através de fitas do meu pai, o outro era ler o dicionário e as revistas da Superinteressante (dentre outras do mesmo gênero). Mas neste post destacarei o fato curioso de "perder tempo" em ler dicionário. Eu, enquanto criança, achava fantástico o fato de ter o significado da palavra em sua frente (hoje temos este recurso no Kindle em um toque), sempre que precisava saber o significado de uma palavra encontrada nas revistas, eu abria aquele calhamaço do Aurélio (procurem imagens na internet) e procurava a palavra desejada. Também fazia isto por esporte; ia procurando as palavras mais diferentes, vendo o seu significado. Lembro quando descobri a palavra "cuja", foi uma descoberta muito interessante... Daí em diante não parei mais, só diminuí o ritmo na adolescência, mas a mudança efetivou-se; era uma daquelas crianças com problemas na dicção que falava umas palavras diferentes, pois conversava muito comigo mesmo enquanto lia as revistas e alguns livros sobre paleontologia e astronomia. Naquela época a astronomia ainda se limitava ao sistema solar e o nome das estrelas e constelações... Também tinha a classificação das estrelas e planetas, mas se limitava em algumas poucas páginas no famoso "Atlas". No entanto por mais livros que minha mãe tivesse em casa, eu sempre me intimidei pelas páginas amarelas e os assuntos ininteligíveis pra minha pessoa. Se não me engano a leitura de minha mãe passava sempre pelos clássicos publicados em 1900... Certa vez, aos meus doze anos peguei um livro pra ler, se não me engano foi "O Cortiço", não preciso dizer que era bem longe de ser o meu gosto, mas se não fosse uma edição antiga, talvez, eu arriscaria ler.

Retomando o assunto do simples; me traumatizei com o segundo volume do livro "Til", linguagem incompreensível cuja era o meu trabalho do segundo bimestre na segunda série do ensino médio. Desde então me apeguei a música e a poesia, compondo algumas letras e melodias, muitas estão perdidas no tempo.

Portanto a simplicidade é fundamental pra chamar novos leitores, por outro lado a boa composição das letras se faz fundamental para a permanência destes na literatura, em especial em seus trabalhos (se você for escritor). Como disse anteriormente; usar sempre as mesmas palavras empobrece seu texto, usar palavras complexas demais afasta os leitores. Afinal é importante manter o equilíbrio entre riqueza nas palavras e o texto simplório sem variação  nas técnicas pra colocar uma palavra após a outra.

Uma boa regra a se seguir é sempre que houver combinações de palavras parecidas num conjunto de três frases (ou até mesmo dentro do parágrafo), se faz interessante reformular até a combinação deixe de existir. Sei das dificuldades nesta regra, no entanto este é um bom exercício pra enriquecer seu vocabulário, te força a escolher as palavras de uma forma interessante; como um general empurrando seu exército contra o inimigo, fechando as rotas de fuga, não deixando alternativa alem de lutar contra suas capacidades, até que o leitor vença o seu texto. Esta figura de linguagem quer dizer; o leitor leu seu escrito com facilidade, aprendeu algumas palavras pelo contexto e ainda gostou do que leu. Esta é uma vitória, ao menos pra mim, quando consigo alcançar os objetivos citados anteriormente. Pra outros escritores pode ser diferente, mas não creio que os seus objetivos fujam muito dos meus; você pode ter o foco em emocionar com sua história, entretanto, acredito no alcance da emoção do público leitor através de um texto bem construído.

Outro ponto importante é escrever como se pensa, pensando no que escreve e acima de tudo; pensar como você deveria escrever. Com isto desejo dizer que as frases bem construídas em sua mente contribuem para que seu primeiro texto saia sem muitas falhas, não dispensando as revisões e reescritas subsequentes.

Em resumo; um texto simples sem técnica se torna simplório, mas aqueles complexos não alcançam o leitor. Equilibrar estes elementos no texto e ainda imprimir a sua identidade é o dever do escritor. Bem como uma casa feita sem projeto, um texto sem técnica está fadado ao fracasso.

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Abraços randômicos e até mais!

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